Alianças rompidas e o novo desenho político para 2026 em Rio Largo; 3º maior colégio eleitoral de AL
O cenário político em Rio Largo, o terceiro maior colégio eleitoral de Alagoas entrou em ebulição neste final de semana. O que era um mar de alianças consolidadas transformou-se em um tabuleiro de xadrez onde o xeque-mate parece ser a tônica da próxima segunda-feira. O ex-prefeito Gilberto Gonçalves rompeu com Arthur Lira (PP) e está agora no MDB, depois de uma tentativa fracassada de entrar no partido do Lula, PT.
É que na próxima
segunda-feira, o prefeito Pedro Carlos (PP) abre as portas da cidade para o
governador Paulo Dantas (MDB). Oficialmente, a agenda é administrativa: a
entrega de 62 ruas asfaltadas e a inauguração de uma sala de saúde digital.
Extraoficialmente, o evento é um marco simbólico de um novo alinhamento que vem
se expandindo nesses últimos meses. A presença de Dantas ao lado de Pedro
Carlos sinaliza uma aproximação que mexe diretamente com os brios do grupo de Gilberto
Gonçalves (GG).
Pois a reviravolta
mais dramática envolve o ex-prefeito Gilberto Gonçalves e sua filha, a deputada
estadual Gabi Gonçalves. Historicamente ligados ao deputado federal Arthur Lira
(PP) — que despejou recursos no município nos últimos sete anos —, os Gonçalves
agora trilham caminhos opostos ao "Padrinho da Câmara".
O Ensaio
Frustrado: GG tentou migrar para o PT com o objetivo de pavimentar sua
candidatura a deputado federal e a reeleição de Gabi. O Plano B: Barrado
na sigla petista, o ex-prefeito não perdeu tempo e "se infiltrou" no MDB
dos Calheiros, eternos rivais de Arthur Lira.
Ao ser questionado pela
nossa reportagem sobre a visita do governador, Gilberto Gonçalves manteve o tom
de mistério e cautela: "Não tenho conhecimento da presença de Paulo
Dantas em Rio Largo nesta segunda", afirmou GG, desconversando também
sobre qualquer mal-estar com o atual prefeito.
Enquanto GG se
distancia de Lira, o prefeito Pedro Carlos parece disposto a ocupar o vácuo de
lealdade deixado pelo ex-aliado. O "bafafá" da vez é o provável lançamento
da primeira-dama, Ane Kelly, como candidata a deputada estadual pelo PP.
Se Gilberto Gonçalves e Gabi agora são MDB, o PP de Lira
ficou sem uma voz forte em Rio Largo. Pedro Carlos não descarta a estratégia: "Tudo
vai depender do incentivo de Arthur Lira. O PP ficou sem representatividade
para estadual no município e a possibilidade [de Ane Kelly sair candidata] não
está descartada", revelou a nossa reportagem o prefeito.
O rompimento de GG
com Arthur Lira pode custar caro ao projeto de Lira para o Senado da República.
Sem o apoio do líder municipal, o parlamentar perde um braço importante na
região metropolitana. Por outro lado, Pedro Carlos joga em duas frentes: mantém
o diálogo institucional com o governo estadual (Dantas) enquanto se valoriza
perante o líder do PP nacional. “Para o senado estaremos com Arthur e Renan
Calheiros”, disse Carlos.
Produção de
conteúdo/ Blog do Edmílson Teixeira
