Capela/AL foi a cidade em que o eleitor ignorou as rédeas da política tradicional com seu voto nas urnas

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Capela/AL foi a cidade  em que o eleitor ignorou as rédeas da política tradicional com seu voto nas urnas
Thiago Medeiros e Adelminho: A investida para virar o jogo em favor do candidato do PL não foi modesta

 

As urnas do segundo turno entregaram mais do que simples resultados numéricos; revelaram o limite do poder das oligarquias e dos arranjos de bastidores no interior de Alagoas. O caso da cidade de Capela figura entre os cenários mais emblemáticos dessa eleição, funcionando como um verdadeiro ensaio sobre a soberania popular e a independência do eleitorado frente às velhas táticas do "coronelismo" moderno.

No primeiro turno, a ala governista local — sob a batuta firme do ex-prefeito Adelminho (MDB), figura que continua dando as cartas acima da figura do atual prefeito, Thiago Medeiros — mobilizou uma verdadeira máquina pública e política em favor da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva. O resultado refletiu a força inicial do agrupamento: Lula: 5.533 votos (57,55%) e Flávio Bolsonaro: 3.700 votos (38,49%)

No entanto, movido pela leitura de vantagem e pelas conveniências do cenário nacional, o grupo de Adelminho decidiu mudar drasticamente de rota para a etapa decisiva. Convencidos de que podiam manobrar o eleitorado como quem mexe peças em um tabuleiro de xadrez, a cúpula governista virou a casaca e engatou o apoio ostensivo a Flávio Bolsonaro no segundo turno.

A megacoalizão das elites locais

A investida para virar o jogo em favor do candidato do PL não foi modesta. Para tentar massacrar a oposição e selar a vitória, formou-se em Capela um "frente ampla" de velhos conhecidos da política local: Adelminho e o prefeito Thiago Medeiros; os ex-prefeitos Valderez Moraes e Eustaquinho; Totinho, oito vereadores de mandatos, além de Fernando Malta, que disputou a última eleição para a Prefeitura no campo oposto e agora caminhava lado a lado com os antigos adversários.

A estratégia parecia infalível no papel: unir situação, oposição histórica e ex-gestores no mesmo panque para transferir votos em massa para Flávio Bolsonaro.

A Resposta das Urnas: O Recado da Democracia

Contudo, quando a votação terminou e os dados foram oficializados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o resultado escancarou o isolamento dos caciques políticos em relação ao desejo do povo capelense: Lula 5.533 votos no primeiro turno e agora 5.955, ou seja, 422 votos a mais. O Flávio 3.700 no primeiro turno e no segundo 3.698, apenas  dois a menos que do primeiro turno.

Mesmo com o reforço do prefeito, de três ex-prefeitos e de uma importante liderança da oposição, a candidatura de Flávio Bolsonaro perdeu votos no município. Por outro lado, Lula — agora sem o apoio da máquina local — cresceu mais de 400 votos em relação ao primeiro turno.

A consciência do eleitor acima do voto de cabresto

A postura do eleitorado de Capela repercutiu além das fronteiras municipais. Anísio Amorim (Anizão), ex-vereador de Murici por vários mandatos e figura atuante na União dos Vereadores do Brasil (UVB), destacou que a atitude da população local merece aplausos, servindo como uma demonstração límpida de maturidade democrática.

O fenômeno verificado em Capela deixa uma lição indigesta para os arranjos de cúpula: o eleitor não é propriedade de grupos políticos, e a transferência mecânica de votos pertence a um passado que caduca a cada eleição. Quando o povo decide qual caminho quer seguir, não há aliança ou máquina política que consiga dobrar a vontade popular, um grande exemplo foi a vitória de JHC para o governo de Alagoas, assim como de sua esposa Marina, para o Senado.

Em Capela, Renan Filho (MDB) apoiado pela máquina administrativa teve apenas 130 votos a mais que JHC (PSDB);  50,63% e 49,21% respectivamente. Para o Senado, o grupo de Adelminho pisou firme na reeleição de Renan Calheiros (MDB) para o Senado, mas quem teve mais votos foi Arthur (PP) com 6.440; Marina 4.632 votos e Renan 4.340 votos, ou seja, Marina teve 292 votos a mais que Calheiros.