Chã Preta rumo ao reconhecimento federal: O resgate histórico do Mocambo de Osenga
Na manhã desta terça-feira, 18, o município de Chã Preta, no coração de Alagoas, deu um passo significativo para o resgate e valorização de sua história ancestral. Representantes de diversas entidades privadas se reuniram para a solenidade de assinatura de um requerimento conjunto que visa o reconhecimento oficial da importância histórica do antigo mocambo de Osenga pelo Governo Federal.
O documento, endereçado à
Fundação Cultural Palmares (FCP) e ao Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional (IPHAN), ambos em Brasília, solicita a chancela federal para
o que foi um notável aldeamento de negros africanos que existiu nas
terras do município no século XVII (1645), há exatos 380 anos.
⛰️ Osenga: um marco de resistência e liberdade
O mocambo de Osenga não é
apenas uma nota de rodapé na história local; ele representa um marco de
resistência, luta por liberdade e formação cultural da região. Sua existência
em 1645, no período colonial, atesta a presença e a organização de comunidades
negras que, fugindo da escravidão, estabeleceram-se e prosperaram na serra
chã-pretense.
O reconhecimento federal
pelo IPHAN e pela Fundação Palmares é a chave para a oficialização e
proteção desse patrimônio imaterial e material. Mais do que um título, a
certificação permitirá ao município integrar rotas históricas e receber o
devido suporte para a conservação e divulgação dessa memória.
🤝 Mobilização da sociedade
civil
A iniciativa demonstra
uma forte mobilização da sociedade civil organizada de Chã Preta em prol
de sua identidade. Diversas figuras de proa assinaram o requerimento,
conferindo peso e representatividade ao pleito:
- Sra. Graça Vasconcelos:
Representando o Grupo Flor da Serra.
- Olegário Venceslau:
Escritor, representando o Instituto Princesa dos Montes e a Rádio
Novo Horizonte.
- Tó Teixeira:
Ex-vice-prefeito, representando a Instância Turística Serras e
Quilombos.
- Celso Rebelo:
Ex-vereador, representando a Associação de Cavalhadas Princesa dos
Montes.
- Adrya Leine:
Professora, como diretora da Escola Estadual Izidro Teixeira.
Outras entidades
chã-pretenses também foram convidadas a se juntar ao movimento, sinalizando um
amplo consenso sobre a urgência dessa pauta.
🗺️ O Futuro turístico e cultural
de Chã Preta
O principal objetivo do
requerimento e a consequente certificação federal é a transformação do sítio
histórico do mocambo de Osenga em um ponto de visitação e turismo
histórico-cultural de relevância nacional.
"Com o
reconhecimento federal, o município de Chã Preta receberá turistas de todo o
País, para visitações à serra onde existiu tal mocambo," afirma um dos
articuladores do movimento.
A expectativa é que a
oficialização histórica impulsione o turismo de base comunitária e o etnoturismo
na região, gerando emprego, renda e, sobretudo, um profundo senso de orgulho e
pertencimento na população. Chã Preta se projeta, assim, como um novo e
essencial destino para aqueles que buscam compreender a rica e complexa
história da resistência negra no Brasil.