Eleições em AL ganham ritmo de maratona com choque de estratégia no interior
À medida
que o calendário avança em direção ao dia 4 de outubro, o termômetro da
política alagoana sobe de forma acelerada. O cenário eleitoral, que antes se
desenhava nos gabinetes, agora ganha as ruas e o interior do Estado, expondo
uma guerra de estratégias e de narrativas entre as principais forças políticas
da terra dos marechais.
Na corrida pelo comando do
Palácio República dos Palmares, os movimentos estratégicos do ex-prefeito de
Maceió, JHC (PSDB), e do senador Renan Filho (MDB) dão o tom da disputa. Ambos
têm direcionado esforços máximos na construção de bases sólidas com os olhos
fixos no governo do Estado, mas com métodos bem distintos.
Há cerca de um mês, JHC iniciou um forte
investimento em sua imagem pelo interior de Alagoas. Explorando sua forte
presença digital — no melhor estilo "garoto instagramável" —, o
ex-prefeito buscou oxigenar sua liderança e dialogar diretamente com o
eleitorado por meio de postagens dinâmicas que rapidamente ganharam
visibilidade nas redes.
No entanto, o movimento foi
recebido com desdém pelo grupo governista. Na avaliação da oposição a JHC, as
alianças conquistadas por ele nessa incursão digital se concentraram em
lideranças consideradas "nanicas" e de pouca densidade eleitoral.
A reação do MDB foi imediata.
Diante das movimentações do adversário, o senador e ex-governador Renan Filho
"arregaçou as mangas" e caiu em campo. Aproveitando o embalo e a
estrutura política do governador Paulo Dantas (MDB), Renan Filho iniciou uma
verdadeira maratona pelo interior, demonstrando que a resposta do partido seria
dada no corpo a corpo e no peso institucional.
Neste último final de semana
traduziu essa ofensiva em números e imagens. O grupo governista promoveu mega
"adesivaços" e carreatas em municípios estratégicos como Palmeira dos
Índios, Estrela, Santana do Ipanema, Murici, São Luís, Belo Monte, Igreja Nova e
Rio Largo, entre outros. O ritmo acalorado das recepções serviu para lembrar
aos adversários um dado crucial: o MDB detém o controle de mais de 80% das Prefeituras
do Estado, uma máquina capilarizada difícil de ser ignorada.
E para o Senado; Renan Calheiros liga sinal de alerta com
o “fator Arthur Lira”
Paralelamente à disputa pelo Executivo, a corrida
pelas duas vagas ao Senado Federal ganhou contornos de alta voltagem. O senador
Renan Calheiros (MDB), que até então mantinha uma postura de aparente
distanciamento, mudou a estratégia e resolveu não ignorar mais a candidatura do
ex-presidente da Câmara Federal, Arthur Lira (PP).
A mudança de postura de
Calheiros não é por acaso. Embora haja duas cadeiras em jogo, Lira desponta no
cenário como o nome preferencial de uma quase unanimidade dos prefeitos
alagoanos, impulsionado pela forte liberação de recursos e parcerias nos
últimos anos. O reconhecimento da força de Arthur Lira pelo clã Calheiros muda
o patamar do jogo, consolidando o desenho de uma das disputas mais acirradas da
história recente de Alagoas.
Conteúdo / Edmílson Teixeira
