Enquanto o Brasil lamenta pelo cão Orelha, Guirra dos Cachorros luta para que outros não tenham o mesmo fim em Capela/AL
A recente tragédia em Santa Catarina, que vitimou o cão Orelha após um espancamento cruel, parou o Brasil. A indignação tomou conta dos telejornais e das redes sociais, levantando um debate nacional sobre a perversidade humana. No entanto, longe dos holofotes da grande mídia, em Alagoas, a luta contra essa mesma crueldade tem um rosto, uma idade e um apelido: Edmílson Holanda, o "Guirra dos Cachorros".
Aos 66 anos e enfrentando problemas de saúde, o assalariado Edmílson não se
deixa abater pelo cansaço. Na pacata cidade de Capela, ele é a única barreira entre a sobrevivência
e a morte para cerca de 50
animais.
Enquanto muitos o chamam de "maluco", Guirra
percorre o mercado da carne coletando o que sobra: ossos, sebo e couro de
frango. É com esses restos sem valor comercial que ele garante a única refeição
de cães e gatos espalhados pelas ruas da cidade.
"Aqui
a gente faz de tudo. É como diz o ditado: faço das tripas coração para não ver
eles morrerem de fome", relata Guirra.
A situação em Capela é alarmante. Segundo o protetor, a ausência de
políticas públicas e de um programa de controle populacional (castração) por
parte da Prefeitura gerou uma proliferação desenfreada. Mas o abandono não é o
único inimigo: a maldade é
vizinha.
Guirra denuncia uma realidade sombria: dificilmente se
passa uma semana sem que animais apareçam mortos por envenenamento ou atropelamentos propositais. É a mesma violência que
matou Orelha em Santa Catarina, acontecendo silenciosamente nas esquinas de Alagoas.
Sem apoio de vereadores ou da gestão municipal, Guirra utiliza sua pequena
moto para transportar animais feridos e com sequelas até uma clínica de uma ONG
em Paulo Jacinto. É uma jornada longa, cansativa e cara.
Nas redes sociais, ele tenta sensibilizar a população,
mas a ajuda ainda é escassa. O homem que dedica sua vida aos que não têm voz
precisa, agora, que a nossa voz se junte à dele.
O trabalho do Guirra é voluntário e depende exclusivamente de doações para a
compra de ração e medicamentos. Você pode fazer a diferença hoje:
PIX
para doações: 82999130140 (Edmílson Holanda)
Veja
cenas chocantes no Instagram oficial:
O caso
Orelha nos ensinou que a crueldade fere, mas o caso do Guirra nos mostra que a
solidariedade pode curar. Não espere outra tragédia para estender a mão.