No Brasil tecnologia para transplantes de órgãos de porcos para humanos está bastante avançada, garante bióloga

Dra. Mayana Zatz, diz que Xenotransplante visa reduzir espera por doação de coração, rim, pele e córnea
O Programa de Xenotransplante do Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL) da Universidade de São Paulo (USP) tem como objetivo permitir que órgãos de suínos (porcos) geneticamente modificados venham a ser transplantados para humanos. A Dra. Mayana Zatz, bióloga diretora do CEGH-CEL estima que as estruturas estejam prontas, na melhor das hipóteses, no fim de 2023. A previsão é que os experimentos de inseminação das porcas aconteçam a partir de 2024.
A Dra. Mayana Zatz, afirma que já houve dois transplantes de órgãos de porcos para humanos. No primeiro caso, nos EUA, um paciente em morte cerebral recebeu rins de suínos, que funcionaram durante três dias. No segundo caso, um paciente em fase terminal, ligado a aparelhos, sobreviveu por 60 dias com o coração de um suíno.
“O resultado foi considerado muito positivo, quando comparado à sobrevida de só 18 dias do paciente do primeiro transplante de coração – de humano para humano – em 1967”, relata Mayana Zatz. “Nosso Programa de Xenotransplante, que foi iniciado como uma coisa bastante futurística, se mostrou muito mais próximo da realidade”.
A bióloga ressalta que os suínos têm os órgãos muito semelhantes aos dos humanos e há uma compatibilidade de 98% entre o genoma das duas espécies. Mas os transplantes de órgãos de suínos normais (não geneticamente modificados) são rejeitados pelo organismo humano.
Por meio da técnica de Conjunto de Repetições Palindrômicas Curtas Regularmente Espaçadas (Crispr), os pesquisadores do CEGH-CEL silenciaram os genes dos suínos que provocam a rejeição aguda de órgãos transplantados para humanos. Os cientistas já conseguiram criar embriões de suínos com esses genes silenciados, que estão armazenados no laboratório.
O próximo passo, explica Mayana Zatz, será inserir esses embriões em barrigas de aluguel, no útero de porcas. Mas antes será necessário construir biotérios de porcos com estrito nível de segurança contra infecções, as chamadas pig facilities. Segundo Mayana Zatz, o planejamento é construir duas pig facilities, uma menor ligada ao Instituto de Biociências (IB) da USP e outra mais ampla no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), também localizado no campus da universidade.
Se bem-sucedida, a tecnologia brasileira permitirá a realização de transplantes de rim, coração, pele, córnea e talvez fígado de suínos para humanos, mitigando – ou mesmo resolvendo – o principal gargalo para os procedimentos, que é a falta de órgãos disponíveis para doação.
No Brasil, o CEGH-CEL é o único com pesquisas avançadas com xenotransplante. No mundo, centros nos EUA, China, Alemanha e Nova Zelândia estão trabalhando com a tecnologia. Mayana Zatz fala sobre o Programa de Xenotransplante em vídeo produzido pelo Conselho Regional de Biologia (CRBio-01).
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Assessoria de imprensa do CRBio-01Diagrama Comunicações