Obra do residencial Santa Amélia segue como símbolo de descaso em Maceió, cadê o JHC?
Enquanto as luzes de Natal se acendem pela capital alagoana, centenas de famílias maceioenses enfrentam mais um fim de ano no escuro da incerteza. O Residencial Santa Amélia, um empreendimento com 1.180 apartamentos que está pronto há mais de três anos, permanece de portas fechadas. O cenário de abandono institucional motivou novas críticas do vereador Rui Palmeira (PSD), que denunciou a falta de agilidade e transparência da gestão do prefeito João Henrique Caldas (JHC).
O impacto da não entrega
vai além das paredes de concreto. Estima-se que mais de quatro mil pessoas
seriam beneficiadas diretamente. Para muitas dessas famílias, o conjunto
habitacional representa a saída de áreas de risco ou o alívio do peso de
aluguéis que comprometem a segurança alimentar.
“São mais de mil famílias
que deveriam passar o Natal em seus novos lares e que, por descaso da gestão,
continuam vivendo em vulnerabilidade”, pontuou Rui Palmeira em suas redes
sociais.
A Novela do
Abastecimento: "Caminho para a China"
A justificativa oficial
da Prefeitura para o atraso reside na falta de abastecimento de água.
Entretanto, o argumento é visto com ceticismo. Segundo Palmeira, as obras dos
poços artesianos se arrastam desde o início de 2025 sem conclusão.
A lentidão virou alvo de
ironia e indignação: “Se o tempo que estão cavando esses poços fosse
proporcional à profundidade, eles já estariam chegando à China”, desabafou
o vereador, ressaltando que o problema é básico para uma gestão que dispõe de
recursos.
Cronograma de Incertezas
e Impedimentos
A falta de planejamento
da atual gestão é evidenciada pela troca sucessiva de prazos. No local, placas
de execução foram substituídas ao longo dos anos; a última delas previa a
entrega para 5 de novembro de 2025 — data que já ficou para trás sem nenhuma
explicação oficial convincente.
Além do atraso, a
fiscalização do legislativo enfrenta barreiras:
- Tentativa de Silenciamento: O
parlamentar relatou ter sido impedido de entrar no residencial por
orientação da construtora Uchôa.
- Fiscalização Improvisada: A vistoria
precisou ser realizada por cima dos tapumes para garantir o registro do
estado real da obra.
Perguntas que a
Prefeitura Não Responde
O silêncio do Executivo
Municipal deixa lacunas graves que afetam a vida do cidadão:
- Quando será finalizado o sorteio das
unidades restantes?
- Qual é a data definitiva para a
entrega das chaves?
- Por que o problema do abastecimento
não foi priorizado nos últimos três anos?
A negligência da gestão JHC
não apenas frustra o sonho da casa própria, mas demonstra uma falha crítica na
execução de políticas habitacionais básicas. Enquanto a solução não chega, o
Residencial Santa Amélia segue como um monumento à burocracia e ao descaso com
a população mais carente de Maceió.