Santa Catarina vivencia o drama de acompanhar seus grandes clubes mergulhados na UTI do futebol brasileiro
O futebol de Santa Catarina, que há pouco mais de uma década figurava com orgulho entre as maiores forças do país, atravessa o momento mais crítico de sua história recente. A fragilidade das gestões, o descompasso financeiro e a perda de competitividade colocaram os principais clubes do estado em uma espiral de declínio nas divisões do Campeonato Brasileiro.
Avaí
Tradicional força
do estado e detentor de campanhas marcantes na Série A, o Leão da Ilha convive
com o fantasma iminente do rebaixamento para a Série C. A instabilidade dentro
de campo e a falta de regularidade técnica ao longo dos campeonatos expõem a
vulnerabilidade de um planejamento sufocado por restrições orçamentárias.
Figueirense
O Furacão do
Estreito já amarga a disputa da Terceira Divisão nacional há algumas temporadas.
O clube tenta reorganizar suas finanças após anos de crise administrativa
profunda e recuperação judicial, mas ainda encontra enormes dificuldades para
retomar
Chapecoense
Responsável por levar a bandeira catarinense ao cenário
internacional com conquistas históricas e a inesquecível reconstrução após o
ápice da Sul-Americana de 2016, também sentiu o peso da reestruturação. Após
anos consolidados na Série A, a Chape despencou para a Segunda Divisão, subiu
no ano passado e agora caiu de novo. O desgaste financeiro acumulado, somado a
trocas sucessivas de comissões técnicas, minou o modelo de gestão pragmático
que antes servia de exemplo para o Brasil.
Criciúma
Em meio ao cenário
sombrio, o Criciúma surge como a exceção e o principal fiador do orgulho
catarinense no cenário nacional. Com uma gestão administrativa equilibrada,
apoio expressivo da torcida no Estádio Heriberto Hülse e montagem de elenco
eficiente, o Tigre é a única equipe do estado a sustentar resultados
consistentes. O Criciúma se firma entre os candidatos ao acesso/permanência no
topo, mantendo viva a esperança de reocupar o espaço que Santa Catarina perdeu
nos últimos anos. O time é o 4º colocado e joga neste sábado, 7, fora de casa contra
o Juventude que é o segundo, com 65 pontos na tabela. Que chova que faça sol, o
Criciúma já está consolidado dentro do Playoffs para disputar uma vaga para a Primeira
Divisão.
Nostalgia
O momento atual
contrasta drasticamente com a "era de ouro" do futebol catarinense.
Em meados da década de 2010 (notadamente no Brasileirão de 2015), Santa
Catarina alcançou o feito inédito e histórico de emplacar quatro clubes
simultaneamente na Série A: Chapecoense, Figueirense, Avaí e Joinville.
Joinville
O JEC vive uma das piores crises de sua história em
2026, marcada por quedas esportivas e polêmicas extra-campo:
Rebaixamento Estadual: Pela
primeira vez em seus 50 anos de história, o clube foi rebaixado para a Série B
do Campeonato Catarinense.
Eliminação na Série D: Foi eliminado ainda na primeira fase do Campeonato Brasileiro da
Série D 2026 (após derrota de 3 a 1 para o São Luiz-RS).
Com as quedas, o JEC
não tem divisão nacional garantida para a próxima temporada, disputando
atualmente a Copa Santa Catarina para tentar buscar novas perspectivas.
Perspectivas
O futebol
catarinense precisa de uma profunda reformulação institucional e financeira.
Enquanto o Criciúma tenta ser a chama de esperança no topo, Avaí, Figueirense e
Chapecoense enfrentam a dura tarefa de reconstruir suas bases para impedir que
o estado seja varrido do mapa do futebol de alta performance no Brasil.
