Sarapatel alagoano: quando o poder vale mais que a palavra dentro da panela política
A política em Alagoas nunca foi para amadores, mas o cenário atual eleva o conceito de "conveniência" a um novo patamar. O que se vê hoje é uma reedição do velho pragmatismo: adversários históricos que trocavam ofensas públicas agora dividem o mesmo palanque, sob a justificativa de uma "união pelo Estado". Na prática, o que impera é a estratégia de sobrevivência e a busca pelo caminho mais curto até a urna.
Até
pouco tempo, o prefeito de Maceió, JHC, era visto como a principal ameaça ao
clã Calheiros na disputa pelo Palácio República dos Palmares. No entanto, o
entusiasmo parece ter dado lugar a um silêncio estratégico.
Os
bastidores revelam que o preço dessa "paz armada" passou por
Brasília. A indicação de Marluce Caldas, tia do prefeito, para o STJ (Superior
Tribunal de Justiça) — um pleito que contou com as digitais dos Calheiros e a
caneta do presidente Lula — funcionou como uma peça de engrenagem que travou as
turbinas oposicionistas de JHC. O resultado? Um prefeito que agora parece
focado em concluir seu mandato municipal, evitando o confronto direto com o
grupo governista.
A
cena ocorrida nesta última sexta-feira em Maceió beira o surrealismo para quem
acompanha a política local: Renan Filho, o "candidatíssimo" ao
governo, desfazendo-se em elogios a JHC. Lula e seus ministros servindo de
testemunhas para uma trégua que parece ter sido selada com tinta de
conveniência e Arthur Lira, o gigante da Câmara que agora mira o Senado,
observando o tabuleiro onde as forças se rearranjam para isolá-lo ou forçá-lo a
novos acordos.
A
análise é clara: Em Alagoas, as coligações não nascem da afinidade de ideias,
mas da matemática dos votos. O eleitor, muitas vezes esquecido no processo,
assiste a um espetáculo onde o "inimigo de ontem" é o "irmão de
hoje", desde que a conta feche no dia da eleição.
O
Novo Tabuleiro
Com
a provável desistência de JHC ao Governo, o cenário para o Senado se torna o
novo campo de batalha. JHC pode ser a única peça capaz de tentar barrar a
ascensão de Arthur Lira à Câmara Alta, criando um novo embate de titãs onde o
Governo Federal e o clã Calheiros têm interesse direto.