Tânia de Maya Pedrosa marca presença neste domingo na Bienal 2025 lançando sua 4ª edição do livro Arte Popular de Alagoas
Neste domingo, dia 2, às 17 horas, a 11ª Bienal Internacional do Livro de Maceió será palco de um evento de profunda importância cultural: o lançamento da 4ª edição do livro Arte Popular de Alagoas, da aclamada artista e incansável pesquisadora Tânia de Maya Pedrosa, ela que na última quarta-feira, fora homenageada por unanimidade pela Câmara de Vereadores de Capela/AL, com o título de Cidadã Honorária Capelense, em pleno seus 92 anos de vida, demonstrando uma lucidez sem igual.
Mais do que um
relançamento, esta é uma celebração de 25 anos de história de uma obra icônica
(cujo original foi lançado em 2000), que agora ganha novos contornos
contemporâneos pela editora alagoana Querida Prudência, no estande (6) da
Academia Alagoana de Letras, no Centro de Convenções de Maceió.
O olhar que desvendou a arte
invisível
Tânia de Maya Pedrosa não
apenas escreveu um livro; ela revolucionou a maneira como Alagoas e o Nordeste
enxergam suas próprias raízes. Em uma época em que a arte popular era
frequentemente invisível ou marginalizada por preconceito, seu olhar sensível e
pioneiro identificou o valor inigualável e a ancestralidade que pulsava nas
mãos de mestres e mestras artesãos.
O livro é um mergulho
sensorial na criatividade de homens e mulheres que, instintivamente,
transformam madeira, barro, cerâmica e linhas em narrativas de vida. Ao longo
de seus 50 anos de "garimpo", Tânia não só deu a merecida visibilidade
a esses tesouros não revelados, mas também os catapultou para o primeiro
escalão de coleções e galerias de arte. Nomes que ela promoveu, como Fernando
da Ilha do Ferro, Manoel da Marinheira, a escola ceramista de Capela (com João
das Alagoas e Sil), Irinéia do Muquém, e tantos outros, são a prova viva do
impacto de seu trabalho.
Uma edição comemorativa
de peso
Esta 4ª edição se destaca
pelo seu projeto gráfico arrojado, idealizado por Werner Salles (Núcleo Zero) e
editado por Mario Lima, e só foi possível graças ao patrocínio generoso da
advogada Fernanda Vilela e do industrial João Tenório.
O volume é um compêndio
robusto, reunindo textos, artigos, ensaios, fotografias e poesias
cuidadosamente selecionados. Além de revisitar a importância histórica dos
textos originais de 2000, 2003 e 2014, a obra incorpora análises contemporâneas
e conta com uma lista impressionante de novos colaboradores e especialistas,
elevando seu debate a um patamar internacional.
Entre os convidados de
prestígio estão Augusto Luitgards, Oscar D´Ambrósio, Adélia Borges, Marinilda
Boulay, os críticos de arte Laurent Danshin (francês) e Cères Franco
(brasileira radicada na França), e grandes intelectuais do Nordeste como Frederico
Pernambucano de Mello, Luiz Sávio de Almeida, Théo Brandão, Cármen Lúcia Dantas
e Dirceu Lindoso.
Tânia de Maya Pedrosa: a cronista
das cores
Nascida em Maceió em
1933, filha do ecologista Paulo de Ramalho Pedrosa e da professora Benita
Mathilde de Maya Pedrosa, Tânia trilhou caminhos na literatura e na moda antes
de se consolidar como artista Naïf. Suas pinturas são uma explosão de cores
majestosas e traços simples, carregadas de um universo simbólico nordestino que
interpreta e transpõe para as telas a realidade, as crenças populares e as
tradições religiosas de sua terra.
Seu legado é vasto,
incluindo a formação de uma das maiores e mais relevantes coleções de arte
popular alagoana e nordestina, com mais de 1.500 peças, parte dela eternizada
na coleção permanente A Invenção da Terra, na sede do Iphan em Maceió.
O lançamento de Arte
Popular de Alagoas é, portanto, mais do que a apresentação de um livro: é
um tributo à resiliência cultural, à força da expressão das raízes e à visão
incansável de uma mulher que deu voz à alma criativa de Alagoas.