Vítimas da Braskem na pauta global: Alagoana leva o desastre de Maceió e a tecnologia cidadã para a COP30
A ativista e especialista em cultura digital, Evelyn Gomes, diretora do LabHacker – Laboratório Brasileiro de Cultura Digital, embarca para Belém (PA) para integrar a delegação oficial brasileira na COP30, a Conferência das Nações Unidas (ONU) sobre Mudanças Climáticas, que será realizada de 10 a 21 de novembro.
Seu principal foco é garantir que o desastre urbano provocado pela mineração da Braskem em Maceió seja reconhecido e debatido como um caso urgente de injustiça ambiental de escala global, oferecendo o trabalho de tecnologia social e pesquisa cidadã como um caminho para a reparação.
Voz independente contra a "Contra-Narrativa"
Evelyn Gomes leva para o encontro global os aprendizados e os dados estruturados do Observatório do Caso Braskem, iniciativa que monitora e traz transparência aos impactos socioambientais causados pela tragédia em Alagoas.
Em um cenário onde as narrativas empresariais dominam o debate, a ativista enfatiza a importância de uma perspectiva local e independente. "Vivemos um contexto de pós-desastre e seguimos enfrentando os impactos da mineração e também das contra-narrativas," afirma Gomes. "Sabemos que a agenda da Braskem é sustentada por dados produzidos e divulgados pela própria empresa. Por isso, é essencial fortalecer uma narrativa local, construída a partir da população e de pesquisas independentes."
Sua presença na COP30 visa:
Apresentar dados e atualizações sobre o caso Braskem, destacando a produção de informação pública por meio da pesquisa cidadã.
Fortalecer a incidência institucional e as articulações comunitárias para garantir a voz dos territórios afetados.
Propor caminhos de justiça e reparação diante de empresas e governos que definem os rumos da transição energética.
Da denúncia na ONU ao palco climático
A participação de Evelyn Gomes na COP30 é uma continuidade de sua atuação internacional. Em 2023, ela já havia apresentado uma denúncia formal sobre a violação de direitos humanos decorrente do desastre da Braskem, durante uma sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra.
Sua agenda em Belém se estenderá por diversos espaços, conectando o diálogo oficial da ONU com a efervescência da sociedade civil. Ela participará de eventos na Blue Zone (espaço oficial da ONU), na Cúpula dos Povos, na Casa das ONGs, na COP do Povo e no World Climate Summit & The Investment COP.
Tecnologia e gênero na transição energética
Além de seu trabalho sobre o caso Maceió, Evelyn Gomes também apresentará o projeto Mulheres de Rede, que une tecnologia, meio ambiente e transição energética.
A iniciativa é um modelo de sucesso na formação de mulheres ativistas. Já capacitou mais de 350 mulheres lideranças em tecnopolítica em Alagoas, Amazonas e Rio Grande do Sul, reforçando o protagonismo feminino em pautas climáticas e digitais.
A presença da alagoana na COP30 reforça o papel de Alagoas no debate global sobre justiça climática, transparência e reconstrução pós-desastre, garantindo que as experiências locais informem o futuro climático e tecnológico do planeta.
🗓️ Agenda de participações (Destaques)
A ativista terá uma agenda intensa, conectando diferentes lutas e pautas em Belém :
10/11 às 18h – Casa das ONG Tema: Do Subsolo à Nuvem: impactos socioambientais dos avanços tecnológicos no Bras
11/11 às 13h – COP dos Povo Tema: Democracia Ambiental: Desafios e Oportunidades para Defensores da Terra e do Meio Ambiente
18/11 às 16h – Casa das ONGs Tema: Resistências locais - Barcarena, Fortaleza, Tapajós e Maceió